22 de JULHO de 2025
Pedras preciosas enormes nunca perderam seu charme. Basta olhar para Anne Hathaway e Priyanka Chopra Jonas no Met Gala deste ano para comprovar isso. Ambas usaram colares da coleção de alta joalheria Polychroma da Bulgari. O de Hathaway, o Cosmic Vault, exibia uma safira de 123,35 quilates, e o de Chopra Jonas, a Magnus Emerald, exibia uma esmeralda de 241,06 quilates. Esta última é, nada menos, a maior pedra que o joalheiro romano já cravou.
Os colares estão entre as 60 “peças milionárias” incluídas na linha de 600 peças – lançada na Sicília em maio –, com tais peças disponíveis apenas para os principais clientes da marca.

Priyanka Chopra Jonas com o colar Magnus Emerald, com uma pedra de 241,06 quilates, da coleção Polychroma da Bulgari. Foto: Divulgação
Em 1937, o político britânico de língua afiada Sir Henry “Chips” Channon escreveu em seu diário sobre Lady Granard, uma das chamadas “princesas do dólar” – herdeiras americanas que se casaram com um membro da aristocracia britânica – que ela “mal conseguia andar por causa das joias”.
Uma dessas joias, uma esmeralda enorme cravejada em um colar cravejado de diamantes, é um destaque da exposição da Cartier atualmente em cartaz no Victoria and Albert Museum, em Londres.

O colar Cartier En Équilibre com seu cabochão de safira de 58,08 quilates. Foto: Divulgação
Pedras preciosas excepcionais estiveram, é claro, no centro do leilão Magnificent Jewels da Christie's, que bateu recordes em Nova York em junho com peças como o colar de safira Blue Belle, vendido por US$ 11,3 milhões, e o diamante rosa Marie-Thérèse, vendido por US$ 14 milhões. Claramente, isso aponta para certas categorias de clientes que não se deixam abalar pelos caprichos da economia global. Uma nova pesquisa da Bain também constatou que a joalheria fina – e especialmente a alta joalheria – é mais resiliente do que categorias como a moda.

O diamante rosa Marie-Thérèse da Christie's tem 10,38 quilates. Foto: Divulgação
A compradora de joias vintage Emrys Cousins – que compra peças antigas e de propriedade para clientes ao redor do mundo por meio de seu negócio Love Well Sourced – diz que a tendência para "mais é mais" não se deve apenas à incerteza econômica, mas também a outros fatores.

O colar Blue Belle da Christie's é centrado em uma safira de 392,52 quilates. Foto: Divulgação
“Pós-pandemia, ansiamos por opulência e personalidade... Meus clientes querem investir em peças divertidas, alegres e singularmente pessoais”, diz ela. “A conversa migrou do 'luxo discreto' para o maximalismo no contexto do estilo pessoal, que dá a qualquer pessoa que precise a permissão de sobrepor suas peças preciosas e usar o que lhe traz alegria.”
Certamente não há nada de "silencioso" em uma pedra preciosa enorme. E nem deveria haver. Como aponta Frank Everett, vice-presidente sênior e diretor de vendas de joias da Sotheby's, joias grandes e impressionantes são, há muito tempo, símbolos de status, classe e riqueza em todas as culturas.

Colar Joy da Louis Vuitton, com mais de 240 quilates de safiras e turmalinas, da coleção Virtuosity. Foto: Divulgação
“Historicamente, a realeza em lugares como Índia e Inglaterra não usava joias apenas como adorno – era uma demonstração deliberada de status e influência. A Rainha Mary, por exemplo, era famosa por usar gargantilhas de diamantes tão apertadas que pareciam quase constritivas – mais uma armadura do que um acessório”, diz ele.
“Essas pedras também eram mercadorias e bens de família, muitas vezes passados de geração em geração para marcar momentos importantes da vida”, continua Everett. “Com o tempo, muitas dessas relíquias de família são reinventadas e remodeladas em novas peças para atender aos gostos e sensibilidades de uma nova era, sem deixar de carregar seu peso histórico.”
Essas tradições continuam, embora de maneiras mais adequadas ao momento atual, diz Everett.
Hoje, grandes casas como a Cartier dão continuidade a esse legado, trabalhando com pedras extraordinárias de maneiras artísticas e relevantes para o estilo moderno. Não se trata mais apenas de espetáculo – trata-se de como essas joias são projetadas para representar seu tempo, sem deixar de ser usáveis.
Alguns dos momentos mais memoráveis de Everett em leilões envolveram pedras preciosas excepcionais. Como o diamante de 100 quilates, cor D, lapidação esmeralda impecável, vendido por US$ 22 milhões em 2015. Ou o rubi Estrela de Fura Moçambique, de 55,22 quilates, vendido por US$ 34,8 milhões há dois anos, estabelecendo um recorde para pedras preciosas coloridas vendidas em leilão. "Ver um rubi daquele tamanho e qualidade é quase inédito – é o tipo de coisa que remodela as expectativas do mercado e nos lembra por que essas pedras cativam colecionadores e apreciadores", explica ele.

Estrela de Fura, um rubi moçambicano de 55,22 quilates. Foto: Divulgação
Embora Everett diga que pedras preciosas grandes e importantes sempre repercutiram na alta joalheria, ele suspeita que as pessoas as estejam examinando com um foco ainda mais aguçado agora.
“Agora, mais do que nunca, se as pessoas consideram as joias como uma classe de ativos – não que a Sotheby's ofereça qualquer conselho sobre investimentos – é natural que os colecionadores considerem o valor a longo prazo ao adquirir peças significativas”, diz ele. “Uma joia ancorada por uma pedra preciosa de grande porte e alta qualidade – seja um diamante, um rubi ou uma safira – tem muito mais probabilidade de manter seu valor ao longo do tempo do que uma peça puramente focada no design.”

O anel coquetel Protection com seu diamante amarelo de 4,32 quilates, da coleção Forces of Nature da De Beers. Foto: Divulgação
Fonte: Revistas Connoisseur, Vogue Itália e Businnes Insider
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