Nádia Bacchi: Três décadas dedicadas a transformar futuros

Liderança feminina que inspira gerações

08 de MARÇO de 2026

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Nádia Bacchi: Três décadas dedicadas a transformar futuros

Em nossa entrevista especial e capa digital deste Dia Internacional da Mulher, a abertura do projeto PORTFOLIO MULHERES PROTAGONISTAS é uma homenagem a Nádia Bacchi, que transformou sua paixão pelo social em uma obra duradoura. Há mais de três décadas, ela lidera a ONG Florescer, que nasceu em 11 de junho de 1990, inicialmente em São Manuel, interior de São Paulo, e se instalou em Paraisópolis em 1995, tornando-se referência em educação, cultura e oportunidades para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade.

Sua trajetória, no entanto, começou muito antes. É casada com Italo Bacchi Filho há 56 anos, com quem teve dois filhos, Alexandre e Karina Bacchi, que preencheu a família com o filho Enrico. Formada em Biologia, Nádia atuou por cerca de dez anos em sua área acadêmica. Depois, mergulhou no universo da moda e empreendeu por 12 anos com a confecção Arteminha, que teve loja, showroom e pronta entrega em São Paulo, vendendo para todo o Brasil, exportando e participando de importantes feiras como a Fenit. Essa experiência lhe trouxe não apenas visão empreendedora, mas também a certeza de que criatividade e trabalho coletivo podem transformar realidades.

Nos últimos anos de sua atuação na moda, Nádia fundou a ONG Florescer, conciliando inicialmente os dois mundos. Em 1992, mudou-se para São Paulo, no Morumbi, próximo à comunidade de Paraisópolis, e desde então passou a se dedicar integralmente ao projeto social.

Nadia Bacchi Revista Portfolio (1)

Ao longo dessa jornada, Nádia enfrentou inúmeros desafios, mas também colecionou incontáveis vitórias e alegrias como presidente da ONG. Hoje, a Florescer é um espaço de esperança e dignidade para milhares de famílias, mostrando que educação e cultura são ferramentas poderosas contra a exclusão social. Sua história é marcada pela resiliência e pela capacidade de transformar experiências pessoais em impacto coletivo.

A ONG Florescer mantém um centro comunitário onde são oferecidas aulas de reforço escolar, inglês, informática, além de oficinas de teatro, dança, música e esportes. A proposta é clara: estimular autoestima, cidadania e inserção social por meio da educação e da cultura. Iniciativas como o Recicla Jeans, que transforma resíduos têxteis em peças criativas, mostram como a moda e a sustentabilidade podem se unir para gerar renda e consciência ambiental.

O impacto é profundo. Ao longo de 32 anos de atuação, milhares de crianças e adolescentes encontraram na ONG um espaço de acolhimento e oportunidade. Muitos deles descobriram talentos, desenvolveram habilidades e vislumbraram caminhos que antes pareciam inalcançáveis. A Florescer tornou-se símbolo de transformação comunitária, mostrando que é possível romper ciclos de exclusão com dedicação e visão.

Nadia Bacchi Revista Portfolio (2)

À frente de tudo isso está Nádia Bacchi, que trouxe para o trabalho social sua experiência no mundo da moda e sua capacidade de mobilizar pessoas e recursos. Sua liderança é marcada pela sensibilidade e pela inovação, sempre com foco em oferecer dignidade e esperança. Mais do que uma obra filantrópica, a ONG Florescer é um projeto de vida que floresce junto com a comunidade de Paraisópolis.

Te convido a acompanhar nossa entrevista exclusiva e conhecer mais sobre o legado de Nádia Bacchi: esperança e dignidade!

Nadia Bacchi Revista Portfolio (4)

O que a inspirou a fundar a ONG Florescer e dedicar sua vida ao trabalho social?

Realizei muitas coisas em minha vida, mas sempre tive um olhar de admiração para as pessoas que realizavam trabalhos voltados ao próximo e às comunidades. Minha avó paterna foi uma dessas pessoas inspiradoras. Ela dedicou muito do seu tempo aos asilos de idosos e, desde criança, eu participava das entregas e das visitas. Essas experiências certamente plantaram em mim a semente do trabalho social.

Qual foi o maior desafio enfrentado nesses mais de 30 anos de atuação em Paraisópolis?

O maior desafio sempre foi, e continua sendo, a falta de recursos para manter a instituição sem cobrar nada dos pais das crianças e sem ajuda governamental.

Tenho o desejo constante de oferecer sempre mais e melhor para elas, e isso exige muito esforço.

Para ajudar na manutenção, venho criando diferentes iniciativas: eventos, bazares, grupos de embaixadores e também a nossa oficina de moda sustentável, o Recicla Jeans. É um projeto social e ecologicamente correto que, além de contribuir com a manutenção da ONG, oferece oportunidade de emprego e geração de renda para mães e jovens da comunidade.

Nadia Bacchi Revista Portfolio (7)

Em que momento percebeu que a ONG estava realmente transformando vidas? Pode compartilhar uma história marcante?

Percebi que a ONG estava realmente transformando vidas em vários momentos ao longo desses anos. Meu coração vibrou de alegria, por exemplo, quando em 2003 vimos vários jovens ingressando no mercado de trabalho graças ao aprendizado que tiveram na oficina de costura da ONG.

Entre as crianças, também tivemos muitas histórias marcantes. Uma delas é inesquecível para mim. Tínhamos cerca de 380 meninos participando do futebol quando aconteceu um campeonato entre favelas, e nossa equipe foi campeã. Um dos meninos foi selecionado para jogar na preliminar do Palmeiras no Japão. Foi um grande sucesso. Seu nome é Emerson Barata, conhecido como Baratinha.

Anos depois, quando precisávamos de um professor para treinar nossos meninos, ele voltou como instrutor. Hoje, inclusive, traz seus próprios filhos para frequentarem os cursos da ONG.

Em meio a tantas transformações, posso dizer que eu também me transformei. Me reinventei, me reciclei e continuo aprendendo todos os dias.

Como a comunidade de Paraisópolis recebeu o projeto no início e como enxerga a ONG hoje?

A comunidade sempre me recebeu muito bem. Muitas pessoas acompanham o nosso trabalho desde o início.

Hoje, nossa ONG cresceu e temos uma sede estruturada dentro da comunidade. Continuamos sendo procurados e respeitados pelo amor, cuidado e dedicação que oferecemos, principalmente às crianças e às famílias que nos procuram.

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Quais conquistas da Florescer lhe dão mais orgulho?

A maior conquista é ter vencido tantos desafios e conseguido chegar até aqui mantendo a qualidade do trabalho que oferecemos. Hoje estou com 78 anos e a ONG está prestes a completar 36 anos de história. Isso me enche de orgulho e gratidão.

Quais são os próximos passos ou sonhos para a ONG Florescer?

Ainda tenho muitos sonhos que desejo realizar. Quero ampliar o número de atendimentos e também desenvolver uma franquia social do nosso projeto de moda sustentável, o Recicla Jeans.

Desejo que a ONG seja cada vez mais conhecida pela excelência do trabalho que realiza. Por isso, continuo trabalhando, pensando em novas possibilidades e criando experiências que possam transformar ainda mais vidas.

Como enxerga o papel da educação e da cultura na construção de um futuro melhor para as crianças da periferia?

A educação e a cultura têm um papel fundamental na construção de um futuro melhor para as crianças da periferia.

Não podemos depender apenas do Estado ou do governo. Cada um de nós pode se colocar a serviço de quem mais precisa.

Quem puder contribuir - seja com um pouco do seu tempo, talento ou recursos - faça. É tempo de agir, de ter atitudes e não apenas boas intenções.

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Que mensagem gostaria de deixar para outras mulheres que desejam liderar projetos sociais?

Quero dizer que ajudar o próximo faz muito bem para a alma. Ajudar quem precisa traz alegria, paz interior e um profundo sentido para a vida.

Façam de suas vidas algo que dê prazer à alma e alegria ao coração. Experimentem a sensação de receber o abraço de uma criança que você conquistou com amor.

Será um enorme prazer receber todos em nossa ONG. Estão convidadíssimos a nos visitar e, quem sabe, se tornarem voluntários ou parceiros nessa missão.

Ajudar o próximo faz bem para a alma. Não há alegria maior do que receber o abraço de uma criança que você ajudou a transformar. Enquanto eu tiver forças, continuarei florescendo vidas.

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FICHA TÉCNICA

Foto: @sergiocyrillo_ l Estúdio: @cia11estudio l Looks e bichinhos: @ongflorescerreciclajeans l Criação e Edição: @luizalbertoportfolio e @giovannialbinofoto

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