11 de MARÇO de 2026
A partir do dia 2 de abril, o Teatro YouTube, em São Paulo, recebe a nova montagem de “O Estrangeiro”, clássico da literatura mundial escrito por Albert Camus, protagonizado por Guilherme Leme Garcia e dirigido por Vera Holtz. Quinze anos após a primeira encenação brasileira do espetáculo, sucesso de público e crítica que percorreu o país por quatro anos e encerrou temporada no Festival de Edimburgo, em 2012, a dupla se reencontra para apresentar uma nova leitura da obra, agora com estética remixada e um olhar atravessado pelos desafios do tempo presente.
A história do espetáculo começou em 2008, durante uma viagem de Natal à Dinamarca. Foi lá que Guilherme e Vera assistiram juntos à adaptação de “O Estrangeiro” realizada pelo ator e diretor dinamarquês Morten Kirkskov. Encantado com a potência teatral da obra de Camus, Guilherme decidiu levar a história aos palcos brasileiros, convidando Vera Holtz para dirigir o projeto. Assim nasceu a primeira montagem nacional do clássico.
O processo de criação durou cerca de dois anos de maturação, com leituras dramatizadas realizadas no Rio de Janeiro e em São Paulo para amigos, críticos literários, diretores e público. O resultado foi um espetáculo que se consolidou como referência na adaptação teatral da obra de Camus no Brasil.
Agora, mais de uma década depois, a montagem retorna com uma nova abordagem, ampliando as camadas de sentido da obra e dialogando com as transformações sociais e existenciais das últimas décadas.
No palco, Guilherme Leme Garcia interpreta Meursault, personagem central da trama. Homem comum, ele leva uma vida aparentemente banal até receber a notícia da morte da mãe. A partir daí, sua trajetória atravessa acontecimentos que mudam radicalmente seu destino: um crime, a prisão e um julgamento que expõe o embate entre indivíduo, moral e justiça.
Arrastado pela correnteza da vida e da história, Meursault torna-se símbolo do pensamento existencialista presente na obra de Camus. Seu drama ecoa o de qualquer ser humano diante do absurdo da existência, quando o mundo parece não oferecer respostas, consolo ou explicação.
Na narrativa, o personagem não encontra sentido na fé, na religião ou em qualquer ideologia. Sem estruturas que o sustentem, ele se vê diante da própria liberdade e da angústia que ela provoca. É nesse confronto entre liberdade e absurdo que Meursault, paradoxalmente, encontra uma forma de paz.
Para Guilherme Leme Garcia, retornar ao personagem depois de tantos anos significa revisitar não apenas um clássico da literatura, mas também sua própria trajetória artística.
“Quinze anos se passaram desde que desenhei Meursault na primeira montagem. Nesse tempo, tanta coisa aconteceu no mundo e na minha vida que é quase impossível pensar essa peça e esse personagem sem considerar todos esses novos desafios que atravessam o nosso pensamento. Uma nova encenação se faz necessária para que a visualidade cênica venha cheia de vitalidade e atualidade. Um Meursault ainda mais simples e ao mesmo tempo mais sofisticado se torna imprescindível para que eu possa pensar uma interpretação mais vertical e contundente”, afirma o ator.
Com forte carga filosófica e estética contemporânea, a nova montagem reafirma a potência teatral da obra de Camus e convida o público a revisitar questões universais sobre liberdade, responsabilidade e o sentido da existência, temas que permanecem tão urgentes hoje quanto quando foram escritos.
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