CAIXA Cultural São Paulo apresenta a exposição Milton Dacosta, a construção da forma

Um dos principais artistas da arte moderna brasileira em cartaz na Galeria Neuter Michelon, no edifício da Praça da Sé

10 de JUNHO de 2026

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CAIXA Cultural São Paulo apresenta a exposição Milton Dacosta, a construção da forma

A CAIXA Cultural São Paulo apresenta a exposição Milton Dacosta, a construção da forma, com curadoria de Denise Mattar. Instalada na Galeria Neuter Michelon, no edifício da Praça da Sé, a mostra, gratuita e aberta ao público, apresenta um conjunto de 50 obras entre pinturas, gravuras e desenhos, mapeando a produção do artista desde a década de 1930 até o final de sua vida na década de 1980. A exposição permanecerá em cartaz até 05 de julho de 2026.

Segundo Mattar, a exposição não tem a pretensão de ser uma retrospectiva, mas de traçar o percurso poético do artista: “Durante toda a vida Dacosta manteve-se fiel à sua pesquisa pessoal, sempre conciliando contradições, e é nesse equilíbrio inquieto que reside a potência de sua obra. A mostra se inicia com suas primeiras produções: retratos e paisagens neoimpressionistas nos quais já ficam evidentes certas características que o acompanhariam por toda a vida como o desinteresse por temas regionais e a capacidade de captar em profundidade os assuntos escolhidos. A partir dos anos 1940, ele revela interesse pela síntese formal e suas figuras então se reduzem aos elementos essenciais, em composições com rigor quase musical. A seguir Dacosta alcança um construtivismo lírico, em trabalhos de grande precisão formal, conhecidos como “naturezas mortas” e “castelos”. Eliminando ainda mais as alusões figurativas, produz séries monocromáticas, de concisão extrema. Apesar do amplo reconhecimento da crítica, Dacosta teve a ousadia de considerar que essa vertente estava esgotada e retornou à figuração de modo renovado, criando as sensuais Vênus, nas quais a linha curva e o gesto livre ganham protagonismo. A exposição busca estabelecer a ligação entre esses trabalhos enfatizando a coerência que permeou a trajetória do artista”.

A expografia utiliza recursos de cor e iluminação para acentuar as características dos trabalhos a fim de proporcionar ao público um clima lúdico e intenso. A produção está a cargo de Anderson Eleotério da ADUPLA Produção Cultural e o Patrocínio é da CAIXA Econômica Federal.

SOBRE MILTON DACOSTA (1915-1988)

Nascido em Niterói, em 1915, Milton Dacosta desde cedo revelou sua inclinação para as artes. Estudou na Escola Nacional de Belas-Artes, onde foi aluno de Marques Júnior e aos 16 anos foi um dos fundadores do Núcleo Bernardelli. Sua primeira participação no Salão Anual de Belas-Artes deu-se em 1933, e realizou sua primeira mostra individual em 1936, na Galeria Santo Antônio, no Rio.

Em 1944 recebeu o prêmio de viagem ao estrangeiro do Salão Nacional de Belas-Artes, e em 1955, o de melhor pintor brasileiro da III Bienal de São Paulo. Várias vezes expôs individualmente e participou de muitas mostras coletivas. Teve salas especiais na VI Bienal de São Paulo, em 1961, e na I Bienal da Bahia, em 1966. Sua obra figura em acervos de diversas instituições como o MNBA-RJ, MAM -São Paulo, MAM- Rio de Janeiro, MAC- Niterói, MASP –São Paulo, entre outras.

O trabalho de Milton Dacosta sempre despertou a atenção da crítica especializada. Ao longo de sua vida escreveram sobre ele intelectuais como Mario Pedrosa, Antônio Bento, Ferreira Gullar, Roberto Pontual, Jayme Maurício, Jacob Klintowitz, Olívio Tavares de Araújo, entre outros. Esse interesse continuou mesmo após a morte do artista, e sua obra tem recebido análises de críticos como, Ronaldo Brito, Paulo Venâncio Filho, Maria Alice Milliet, entre muitos outros.

 

MILTON DACOSTA: A CONSTRUÇÃO DA FORMA

A exposição “Milton Dacosta: a construção da forma” traça o percurso do artista dos anos 1930 a 1980, evidenciando uma obra marcada por disciplina e emoção. Dacosta manteve-se inteiramente fiel à sua pesquisa, sempre conciliando contradições. E é nesse equilíbrio inquieto que reside a potência de sua obra.

Precoce, iniciou sua formação ainda jovem e integrou o Núcleo Bernardelli, desenvolvendo uma pintura neoimpressionista, influenciada pela Escola de Paris. Desde cedo, entretanto, afastou-se do nacionalismo dominante e, a partir dos anos 1940, revelou interesse pela síntese formal. Suas figuras então se reduzem aos elementos essenciais, em composições com rigor quase musical.

A seguir Dacosta alcança um construtivismo lírico, em trabalhos de grande precisão formal, conhecidos como “naturezas-mortas” e “castelos”. Eliminando ainda mais as alusões figurativas de seus trabalhos, produz séries monocromáticas, de concisão extrema, quase sempre nomeadas apenas pela cor da obra. Apesar do amplo reconhecimento da crítica, Dacosta teve a ousadia de considerar que essa vertente estava esgotada e retornou à figuração de modo renovado, criando as sensuais Vênus, nas quais a linha curva e o gesto livre ganham protagonismo.

Assim, transitando pelo neoimpressionismo, cubismo e construtivismo, Dacosta alcançou a síntese total para retornar à figuração, completando seu ciclo criativo. Um caminho sem estrelismos de um dos mais importantes artistas de nosso país, dono de uma obra pessoal e original que resiste bravamente a classificações.

Por Denise Mattar l Curadora

SERVIÇO

Exposição: MILTON DACOSTA, A CONSTRUÇÃO DA FORMA l Curadoria: Denise Mattar l Período: 06 de maio a 05 de julho de 2026 l Horário de Visitação: Terça a domingo, das 9h às 18h l Local: CAIXA Cultural São Paulo - Praça da Sé, 111 – Centro – São Paulo – SP, próxima à estação Sé do metrô l Entrada: gratuita l Classificação: Livre l Informações: (11) 3321-4400 / @caixaculturalsp l Patrocínio: CAIXA e Governo do Brasil​

Fotos: Leonardo Ramadinha

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